
Se não podemos mudar o mundo,
interminável trabalho de formiguinha,
resta nos abrir para o que existe
e sempre existirá de positivo:
os verdadeiros amores,
que não se baseiam em vantagens,
mas em ternura e respeito;
as verdadeiras amizades,
que não se contam pelos dias convividos,
mas pela certeza de que o outro está sempre ali;
as verdadeiras famílias,
em que apesar das diferenças imperam a confiança e a alegria.
Sempre que alguém quer e realiza o mal do outro,
alguma coisa no mundo se desestrutura;
toda ação ou palavra perversa,
toda injustiça é um crime contra a natureza mais ampla,
que nos inclui, a nós,
seres humanos vulneráveis e grandiosos,
patéticos e dignos - tudo isso por sermos apenas humanos.
(Lya Luft, trecho extraído do artigo "O belo e o bom", em sua coluna Ponto de Vista,
da revista Veja, de 31 de janeiro de 2007)
Depois de ler "Pensar é Transgredir", da escritora gaúcha Lya Luft, passei a admirar o seu trabalho, a sua forma de fazer livros. De escrever. Gosto de pessoas que me inspirem sensibilidade, pessoas que falam com o cérebro e com a alma. Sem, portanto, perder a simplicidade. Pessoas que se importam com o outro. Que reconhecem a complexidade do homem. Pessoas que pensam. Que transgridem. Que não se conformam. Que admiram o belo, mesmo que o belo seja de controversa definição .